Novembro.

Mãe montou a nossa velha arvorezinha, ela tem pouco mais d um metro, pendurou as bolinhas prateadas, os laços, sininhos, um cordão brilhante, as luzinhas que esse ano tem cor verde e mudam o ritmo que piscam e por fim a estrela lá no topo dela. Isso me trás tanta lembrança. Quando era criança ficava observando os pisca-pisca durante horas, me imaginando correndo nos galhinhos iluminados , me via na neve que aqui não existe, se mãe não me chamasse para jantar eu passaria a noite inteira ali olhando para árvore de natal. Vó sempre fazia as ceias, com aquele peru grandão assado um monte de comida na mesa, a família toda reunida, todo mundo rindo, feliz. Porém vó morreu há cinco anos, e já não tinha mais graça as ceias de natal sem ela, então a família parou de se reunir, alguns viajaram para longe, todo mundo se separou. É ceia de natal tem a cara da minha Vó Maria.
Olhando para a árvore de natal, lembro que sempre me senti assim no natal, sozinho. E agora parece que isso aumentou antes pelo menos eu não tinha tantos problemas, preocupações, decepções. Lembro que já sei do segredo de Papai Noel e das renas puxando o trenó, levando presente de casa em casa do mundo inteiro. Porém fico feliz por ainda ter minha linda arvorezinha de natal. Tanta gente nem natal tem. Nunca tiveram ceia, nem avó nem familiar algum, nem nunca sequer ouviram falar do velho Noel.

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